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Mindhunters aprofunda e personaliza drama dos serial killers em segunda temporada

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Quando você dança com o diabo, você não muda o diabo, o diabo muda você. A frase atribuída a Andrew Kevin Walker é uma boa linha mestra da segunda temporada de Mindhunter, seriado da Netflix que conta a criação do departamento de ciência comportamental dentro do FBI para estudar serial killers e afins. 

Nesta segunda temporada, o espectador é apresentado não mais aos personagens, já estabelecidos, mas sim aos efeitos sofridos por estes após a exposição aos criminosos, e a profundidade desse impacto. Com grande habilidade, foi introduzido um arco paralelo no qual os efeitos passam a ser sentidos na família de um dos agentes, que começa a questionar se esses assassinos seriais não poderiam ser frutos de uma família normal? Uma bela discussão que encontra raízes na clássica teoria da natureza versus criação, na qual se debate se o ambiente é responsável pelas características de cada um, ou se é algo inato, que vem da natureza de cada indivíduo. 

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Um grande destaque fica por conta da similaridade dos atores que fazem os assassinos, ou mesmo figuras históricas, prova de um casting absolutamente fantástico. É até divertido, ao terminar um episódio, se buscar como era a pessoa real em comparação com o ator. Manson, o famigerado e polêmico Manson, está igualzinho, e inclusive o ator ficou tão bom que foi usado ao mesmo tempo nesse seriado e no filme Era uma Vez em Hollywood. 

Em termos de atuações, destaque para Holt McCallany, que interpreta o agente sênior Bill Tench, e que mostra a importância da inteligência emocional ao se desdobrar entre emprego, politicagem e vida pessoal. Jonathan Groff, saído de Glee, consegue demonstrar algum desenvolvimento sobre seu papel na primeira temporada, de geniozinho rebelde, e ajuda a segurar bem os arcos narrativos, sendo que a única atriz que parece estar dissonante é Anna Torv, totalmente sem brilho e em uma cruzada pessoal sobre a sexualidade, que ainda que seja interessante, mais parece pauta dos tempos atuais do que algo dentro do contexto da série, que tem os assassinatos de crianças negras em Atlanta como pano de fundo dessa temporada. 

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Com Mindhunters, a Netflix consegue mostrar a sua versatilidade narrativa, e explorar um caminho que parece mistura de documentário e ficção, atraindo assim entusiastas de mais de um nicho, em uma série que ainda que seja pesada e profunda, é produzida de forma precisa e com muita competência, a ponto da temporada acabar rapidamente, deixando muitas dúvidas para a terceira temporada.

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Escrito por Bene!

Um curioso acima de tudo. Amante das artes, busco viver sem rótulos e explorar o que a alma pede. Escrevo sobre o que gosto, amo, odeio, me faz pensar e me faz sentir. Espero que minhas ideias, palavras e ações sejam meu legado. Bem vindos e espero que gostem. Críticas, dúvidas e sugestões: falecomobene@gmail.com

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