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Nasce uma Estrela é de longe um dos melhores filmes do ano e forte concorrente ao Oscar

Warner Bros.

Algumas histórias merecem ser contadas e recontadas, especialmente quando isso é feito com sensibilidade, visão e qualidade. E Nasce uma Estrela é um desses casos, visto que não é apenas um remake, mas é a quarta refilmagem de um longa de mais de 80 anos. Para dificultar ainda mais a tarefa do longa, Lady Gaga, protagonista da nova versão, teve como antecessoras as icônicas Judy Garland e Barbra Streisand. Não é pouca coisa.

A história em si não é nada de surpreendente: garoto conhece garota e juntos vivem uma história de amor. Aqui, Jack, uma estrela meio country meio rock, mistura de Blake Shelton com Chris Cornell vivida de maneira surpreendente por Bradley Cooper, enquanto a novata Gaga, incorporando alguns aspectos autobiográficos de sua carreira, vive Ally. Sol e Lua, se encontrando no entardecer, um vivendo seu zênite, a outra sua ascensão. Um amor como o amor deve ser.

Não se trata de musical, mas de um filme com e sobre o poder da música sobre as pessoas, inclusive quem interpreta e dá vida a elas – e talvez dela tire a vida e a razão de viver. As músicas aqui compostas em sua maioria por Lady Gaga e Bradley Cooper, diferenciando das outras verões, são clássicos automáticos e instantâneos, inclusive a belíssima Shallow, que estourou nas paradas antes mesmo de muitos terem a chance de ver o filme no Brasil.  Mas o filme se sustenta em muito mais do que suas emocionantes canções. Comparações com La La Land são inevitáveis, mas Nasce uma Estrela vai muito além. De raso, o filme não tem nada.

A história de amor aqui contada é uma história de momentos. Os americanos tem uma palavra que retrata bem esse encontro casual que mais parece um alinhamento de planetas: “serendipity“. E tanto na história contada como na própria dinâmica do filme, é isso que o expectador experimenta: um daqueles encontros extremamente fortuitos, na qual a intensidade com a qual Gaga atua e canta é algo inédito, trazendo Cooper para a melhor interpretação de sua carreira, ele que por muitos é considerado um ator mediano, parece encontrar sua melhor forma em papéis quebrados, de pessoas problemáticas, tal qual Denzel Washington tem seus melhores momentos em papéis de fundo racial. 

Detalhe: Bradley Cooper atua em nível de Oscar, mas também dirige e produz o longa, além de escrever as músicas e cantar, bem melhor do que era de se esperar. E o que falar de Gaga? Talvez por ser uma cantora performista, ela mais parecia uma veterana, ao invés de uma atriz novata. Impressionante. Só que além de uma atuação digna de prêmio, ela alcança um novo patamar musical: deixa de ser uma estrela pop para entrar no rol das Divas, não devendo nada a Adele ou Whitney Houston, que parece servir de inspiração na canção definitiva I´ll Never Love Again. A potência vocal, o lirismo das letras, as emocionantes melodias e a intensidade atingida são simplesmente impressionantes.

O longa, com mais de duras horas de tela, faz uso da mudança de velocidade da narrativa em determinado momento para criar empatia do público com o protagonista que passa a ser coadjuvante na história. Causa incômodo e desconforto, projetando que algo vai dar muito errado e não há nada que se possa fazer para se evitar. Criar essa conexão e empatia é para poucos, e a direção de Cooper faz isso de maneira natural. Os atores coadjuvantes como Sam Elliot ajudam a manter o excelente nível de atuação, que aliados à excelente direção e produção, fazendo dessa uma obra completa. 

Na era dos filmes blockbusters, que aumentam a lucratividade dos estúdios pelos recursos, o que se vê em Nasce uma Estrela é uma história atemporal – não à toa contada outras décadas, mas com interpretação também atemporal, deixando claro que Gaga vai atrás do seu primeiro Oscar. O filme deve ser indicado para melhor filme, direção, atriz revelação, canção original, trilha sonora, ator e roteiro adaptado e deve levar as categorias musicais e revelação, dependendo muito dos demais concorrentes para as demais categorias, mas independente dos prêmios que certamente virão, o caminho dos filmes de temática musical fica escancarado, e o cinema ganha uma grande obra,

Bradley se consolida de vez e Gaga ganha o status de Diva. Um filme que dá vontade de voltar À bilheteria ao final da exibição e se pagar outro ingresso. Bravo! 

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Escrito por Bene!

Um curioso acima de tudo. Amante das artes, busco viver sem rótulos e explorar o que a alma pede. Escrevo sobre o que gosto, amo, odeio, me faz pensar e me faz sentir. Espero que minhas ideias, palavras e ações sejam meu legado. Bem vindos e espero que gostem. Críticas, dúvidas e sugestões: falecomobene@gmail.com

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