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Rambo: Até o Fim esgota a história do soldado e a paciência de quem assiste

Balboa Productions
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Ao tomar conhecimento do enredo de Rambo: Até o Fim, quinto e último capítulo da trajetória de John Rambo, é natural que se fique com medo de ser um filme moldado ao tom de clássicos da nova fase de Clint Eastwood, ou mesmo lembrando os filmes de vingança que parece compor a maioria da filmografia de Liam Neeson. Não é. Infelizmente. É como se fosse o lado ruim de ambos, temperado com altas doses de violência, que fariam Jigsaw corar. 

Na trama, John Rambo voltou à sua terra natal no Arizona, onde cria cavalos, toma remédios controlados e vive uma vida pacata em um tipo de simbiose familiar com a uma família de origem mexicana. Algo acontece com a menina, e seu lado boina verde vem à tona, com a busca pela verdade e por levar vingança ou justiça aos responsáveis  (dependendo de como se vê a questão).

Adrian Grunberg dirige o longa de pouco mais de hora e meia, sendo estreante na função e tentando emular sensações provocadas nos primeiros capítulos da saga. Tentando e falhando miseravelmente. 

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Rambo V simplesmente não tem razão de ser. Nenhuma. É a violência pela violência, sem um contexto que a justifique, como havia nos capítulos anteriores. Rambo é retratado como um cão fora da coleira, raivoso e colérico, quase retribuição divina do Antigo Testamento. E ao mesmo tempo parece ser dotado de muita inteligência e estratégia, o que gera questionamento sobre a objetividade das suas decisões. E no que pesem as críticas, não se trata do filme ser violento demais, mas ser violento demais sem sentido a não ser chocar. Violência, como nudez, precisa de um propósito além de sí mesma, senão vira exposição. Aquela linha tênue que segurou filmes como Jogos Mortais, dos quais os filmes se salvam por pouco, o que não acontece com Rambo. Rambo sempre foi violento, e não deixaria de ser agora, mas antes havia um porque, deixado um pouco de lado. O diretor deu uma desculpa para o desenrolar, não uma construção ou explicação. 

O final da saga era um ótimo momento para se trabalhar a velhice e o contexto de soldados que deixaram sua alma nas muitas guerras que participaram. Dar à Rambo um final digno para um vida de batalhas sangrentas. Mas um diretor iniciante e uma sede de sangue barata encerraram a história de Rambo de forma deprimente e vazia. Pena que não era um clássico de Clint Eastwood.

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Escrito por Bene!

Um curioso acima de tudo. Amante das artes, busco viver sem rótulos e explorar o que a alma pede. Escrevo sobre o que gosto, amo, odeio, me faz pensar e me faz sentir. Espero que minhas ideias, palavras e ações sejam meu legado. Bem vindos e espero que gostem.

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