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O Gambito da Rainha dá um xeque-mate na concorrência

Netflix
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Apesar do nome estranho àqueles que não admiradores do xadrez, O Gambito da Rainha impressiona por uma série de fatores. Talvez o principal deles seja justamente o fato de ser uma minissérie e não um seriado com continuação a ser esperada. É uma história contada – e bem contada – do início ao final, mostrando que a Netflix pode brilhar em mais de um formato, apesar da insistência em apresentar dezenas de séries novas, que nem sempre tem uma continuação.

O Gambito da Rainha apresenta a história de Beth Harmon, muito bem interpretada pela promissora Annya Taylor Joy, de A Bruxa. Ela interpreta uma órfã que se revela prodígio no xadrez. Sem dúvida, uma jogada de mestre foi transformar o xadrez, esporte altamente cerebral, em algo emocionante e envolvente.

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Uma grande parte desse sucesso se deve à sensibilidade apurada de Scott Frank, a mente criativa por trás de Logan e Marley e Eu. Scott adapta a obra homônima de 1983 de tal forma que a enxadrista Harmon repassa as partidas no teto de seu dormitório enquanto suas pílulas calmantes fazem efeito. É causa e consequência, bom e mau, os dois lados da moeda funcionando juntos.

Assim como em uma partida de xadrez, no qual muitas peças tem o poder de ir e voltar no tabuleiro, Harmon e os demais protagonistas passeiam por suas próprias trajetórias de maneira não linear, e os fantasmas de Beth se mostram piores que todos os grande mestres russos.

Aliás, informação importante: por mais que se queira, a história da protagonista é meramente ficcional, ainda que muitos personagens tenham existido, o que nada tira do mérito da narrativa. Muito pelo contrário. Torna Beth mais relacionável com seus fantasmas e sua genialidade indomável. E tudo volta no acidente que a tornou órfã, assim como orfanato e seu improvável professor.

Sete capítulos a princípio parecem pouco para contar a história, assim como 16 peças podem parecer pequenas para as batalhas que se travam, mas ambas ideias são equivocadas. O Gambito da Rainha se aproxima tanto universo dos reais torneios de xadrez que foi validada pelo grande mestre Garry Kasparov. Mas consegue fazer isso de uma maneira que os leigos se divirtam e se sintam imersos nesse universo.

O Gambito da Rainha fisga o espectador desde o primeiro lance, assim como sua protagonista fez com dezenas de oponentes. Fácil de assistir e difícil de largar, sem dúvida uma grande obra da Netflix nesse estranho ano de 2020.

                 

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Bene!

Escrito por Bene!

Um curioso acima de tudo. Amante das artes, busco viver sem rótulos e explorar o que a alma pede. Escrevo sobre o que gosto, amo, odeio, me faz pensar e me faz sentir. Espero que minhas ideias, palavras e ações sejam meu legado. Bem vindos e espero que gostem.

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